terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cindy Sherman

Robert Mapllethorpe

Glossário Bimestral




Glossário 3° Bimestre (em dupla ou individual) entregar até 04 de Setembro, 2,0 pts.

(A capa deve ter uma preocupação com a sua visualidade criativa: releitura de uma obra de arte/colagem/ fotografia ou outra criação que contemple a comunicação visual; normas da ABNT; cabeçalho completo; índice; introdução com no mínimo de 10 linhas, onde a dupla deve colocar a sua visão sobre as artes, sua função social e suas diversidades de linguagens, no 1º parágrafo e posteriormente sintetisar os conceitos que estão sendo apresentados; desenvolvimento: conceito seguido de sua visualidade; Conclusão com no mínimo10 linhas e Referências )

1 - Arte Aborígene Australiana (Johnny Tjupurrula)
2 - Arte de Intervenção
3 - Barbara Kruger
4 - Body Art
5 - Cindy Sherman
6 - Contracultura
7 - Grafiti
8 - Pós-Modernidade
9 - Robert Mapplethorpe
10- Teatro do Oprimido
11- Tropicalismo
12- Woodstock

Dissertação individual - 1,0 pt. (Artes e Português) até 21/08/09

A arte sempre estará viva enquanto expressão indispensável da experiência humana e como importante meio de comunicação na sociedade globalizada, mas o que se observa na contemporaneidade é uma certa exaustão, uma banalização de conteúdo e forma em determinadas linguagens. A questão que se coloca é: tudo é arte? Qualquer um pode ser artista? Como diria Nietzsche, "a arte tem necessidade de certezas, ela não tem de se preocupar em saber aonde vai; ela vai em direção a si mesma, simplesmente porque ela é e porque é levada naturalmente a se lançar e a se desdobrar".

Dissertar criticamente o seu ponto de vista sobre o enunciado acima, colocando também o exemplo das linguagens e estéticas que você considera e consome como Arte. ( Mínimo de 15 linhas )

Contracultura




A Contracultura é um movimento que tem seu auge na década de 60, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e com ele novos meios de comunicação em massa. Jovens inovando estilos, voltando-se mais para o anti-social aos olhos das famílias mais conservadoras, com um espírito mais libertário, resumindo como uma cultura underground, cultura alternativa ou cultura marginal, focada principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo e pequenas realidades do cotidiano.
Surgiu então a contracultura que pode ser definida como um ideário alternativo que questiona valores centrais vigentes e instituídos na cultura ocidental. Justamente por causa disso, são pessoas que costumam se excluir socialmente e alguns se negam a se adaptarem as visões aceitas pelo mundo. Com o vultoso crescimento dos meios de comunicação, a difusão de normas, valores, gostos e padrões de comportamento se libertavam das amarras tradicionais e locais –- como a religiosa e a familiar --, ganhando uma dimensão mais universal e aproximando a juventude de todo o globo, de uma maior integração cultural e humana.
De um modo geral, podemos citar como características principais deste movimento, nas décadas de 1960 e 1970: - valorização da natureza; - vida comunitária;- luta pela paz (contra as guerras, conflitos e qualquer tipo de repressão);- vegetarianismo: busca de uma alimentação natural;- respeito às minorias raciais e culturais;- experiência com drogas psicodélicas,- liberdade nos relacionamentos sexuais e amorosos, - anticonsumismo- aproximação das práticas religiosas orientais, principalmente do budismo;- crítica aos meios de comunicação de massa como, por exemplo, a televisão;- discordância com os princípios do capitalismo e economia de mercado. Os precursores da revolução contracultural foram os chamados beatniks, cuja característica mais importante foi o inconformismo com a realidade do começo da década de 1960. Os líderes do movimento beatnik, que serviu de base para o movimento hippie, foram Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. O principal marco histórico da cultura "hippie" foi o "Woodstock," um grande festival ocorrido no estado de Nova Iorque em 1969, que contou com a participação de artistas de diversos estilos musicais, como o folk, o "rock'n'roll" e o blues, todos esses de alguma forma ligados às críticas e à contestação do movimento.
Na segunda metade dos anos 60, Ken Kesey, Alan Watts, Timothy Leary e Norman Brown criaram a teoria e práxis contracultural, ganhando destaque e transformando-se nas lideranças do movimento. Com relação ao mundo musical, podemos citar a cantora Janis Joplin como o símbolo deste movimento na década de 1960. As letras de suas canções e seu estilo fugiam do convencional, criticando, muitas vezes, o padrão musical estabelecido pela cultura de massa. Os músicos Jim Morrison e Jimi Hendrix também se encaixam neste contexto cultural. Atualmente a contracultura ainda vive, porém esta preservada em pequenos grupos sociais e artísticos que contestam alguns parâmetros estabelecidos pelo mercado cultural, governos e movimentos tradicionalistas.

Arte Aborígene Australiana - Johnny Tjupurrula




JOHNNY TJUPURRULA - Punglu man dreaming - 175 x 65 cm acrylique sur toile 1998
A arte aborígene australiana é uma das últimas geniais tradições de arte para serem apreciadas. O uso efêmero de materiais torna difícil determinar hoje em dia a idade da maioria das formas praticadas nessa arte. As formas mais duráveis são as múltiplas gravuras e pinturas em rochas encontradas no continente. Em Arnhem Land, evidências sugestionam que as pinturas foram feitas quinze mil anos atrás - anteriormente a pinturas rupestres paleolíticas de Altamira e Lascaux na Europa. Desenhos de gravuras foram encontradas no sul da Australia e datadas há treze mil anos atrás. Recentes estudos indicam que gravuras e pinturas desse e outros tipos de arte aborígene, mantiveram contínua atividade artística ao longo do milênio.
Sonho Aborígene (The Dreamtime) - Para os aborígenes arte é significado do presente conectado ao passado e a seres humanos com o mundo sobrenatural - aos poderes ancestrais. Ela é puramente espiritualista e envolvida em tudo que é natural no universo. A vida espiritual aborígene centra-se no sonho. Termo usado para descrever a ordem espiritual, natural e moral do cosmos. Isso relata o período da gênesis do universo para o tempo além da viva memória. E essa é a real crença deles. O termo sonho não é sinônimo de um estado de sono ou irreal, mas sim um meio para o estado da realidade acima do mundano. O sonho foca atividades e escrituras épicas dos seres sobrenaturais e ancestrais sendo: o arco-íris serpente, o homem iluminado, as irmãs Wagilag, Tingari e Wandjina - ambos tem formas humanas e não humanas - viajando através do mundo e criando tudo nele. Provendo as leis sociais e de comportamento religioso. O sonho define não somente o passado, mas dá também a moldura ideológica pra cada sociedade humana retendo o equilíbrio harmônico com o universo. Fotos abaixo mostram o didgeridoo - instrumento musical aborígene usado como uma flauta que imita os sons da natureza. Talvez seja o instrumento musical mais antigo do planeta.

Johnny Tjupurrula - Revelou-se entre os artistas aborígenes devido a sua abordagem inovadora e de sua técnica delicada. Sua pintura também para o desenvolvimento de estradas. pistas e assentamentos. Em troca seu trabalho foi remunerado na forma de bens consumíveis, comida, farinha, chá, açúcar, tabaco e produtos horticolas frescos. Johnny sempre aceitou a ideia de que suas pinturas são histórias aborígenes. Ele nunca permitiu qualquer infiltração de influências européias e raramente utiliza representações literais de objetos. A pintura aborígene australiana usa sinais e símbolos, utilizando tintas no corpo. Devido essa "pureza" suas obras mantêm uma integridade que os coloca entre as mais significativas produção de arte seminal.

A arte visual aborígene tem diversas formas, desde a gravura em pedra até a simples arte de decorar o corpo, pinturas no solo e esculturas cerimoniais em madeira. A colocação de novas técnicas e materiais como a tela e a tinta acrílica facilitou novas criações e formas artísticas. Uma das técnicas observadas na Australia é o uso da lona no chão como suporte sem moldura. Aparentemente abstrata, a arte aborígene carrega diversos significados relacionados com sua tradição. A figura de animais, bumeranges, cangurus no momento de caça e temas relacionados a vida no deserto são apenas alguns exemplos da figuração artística desse povo.

Graffiti





Outros Nomes
Esgrafiado, Graffite, Graffito, Grafite, Grafito, Grafitos, Sgraffite e Sgraff
As inscrições em muros, paredes e metrôs - palavras e/ou desenhos -, sem autoria definida, tomam a cidade de Nova York, já no início da década de 1970. Em 1975, a exposição Artist's Space, na mesma cidade, confere caráter artístico a parte dessa produção, classificada como graffiti. A palavra, do italiano graffito ou sgraffito ("arranhado", "rabiscado") é incorporada ao inglês no plural (graffiti) para designar uma arte urbana, com forte sentido de intervenção na cena pública. Giz, carimbos, pincéis e, sobretudo, spray são instrumentos para a criação de formas, símbolos e imagens em diversos espaços da cidade. O repertório dos artistas é composto por ícones do mundo da mídia, do cartum e da publicidade, o que evidencia as afinidades do graffiti com a arte pop, e com a recusa em separar o universo artístico das coisas do mundo. Os grafiteiros remetem às origens de sua arte às pinturas pré-históricas e às inscrições nas cavernas. Nos termos de Keith Haring (1958-1990), um dos principais expoentes do graffiti nova-iorquino: "Decidi voltar ao desenho, que mudou pouco desde a pré-história e ainda guarda a mesma origem". A definição e reconhecimento dessa nova modalidade artística obrigam ao estabelecimento de distinções entre graffiti e pichação, corroboradas por boa parte dos praticantes. Apesar de partilharem um mesmo espírito transgressor, a pichação aparece associada nos discursos críticos a uma produção essencialmente anônima, sem maior elaboração formal e realizada, em geral, sem projeto definido. No graffiti, por sua vez, os artistas explicitariam estilos próprios e diferenciados, mesclando referências às vanguardas e outras relacionadas ao universo dos mass midia. Cabe lembrar que vários artistas modernos - Brassaï (1899-1984), Antoni Tàpies (1923), Alberto Burri (1915-1995) e Jean Dubuffet (1901-1985), entre outros - também incorporam elementos dos grafitti às suas obras.
A produção de Keith Haring se caracteriza pela ironia e crítica. No início dos anos 1980, suas imagens em giz ocupam as superfícies negras das paredes do metrô, destinadas a cartazes publicitários. Bebês engatinhando, cachorros latindo, figuras magricelas etc. são marcas características do artista. Em 1982, o mural com cores fluorescentes no Lower East Side e a animação para painel eletrônico na Times Square, Nova York, projetam o nome do artista, que irá desenvolver, a partir de então, projetos fora dos Estados Unidos: entre eles, o trabalho realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ (1984) e a intervenção no Muro de Berlim (1986). As telas de Haring - por exemplo, Portrait of Macho Camacho (1985) e Walking in The Rain (1989) - guardam semelhanças com os graffiti, seja pela manutenção da linha solta das inscrições e rabiscos, seja pelo repertório mobilizado.
Jean-Michel Basquiat (1960-1988) é outro nome importante dessa modalidade de produção artística. Basquiat enfatiza as ligações do graffiti com o hip hop e com o mundo underground dos pichadores, que o trabalho de Haring anuncia. Original de uma família haitiana, Basquiat enraíza sua arte na experiência da exclusão social, no universo dos migrantes e no repertório cultural dos afro-americanos. Ao longo dos anos 1970, seus "textos pintados" tomam os muros do Soho e do East Village em Nova York, redutos de intelectuais e artistas, e fazem dele um artista conhecido. Mas será na década seguinte que a caligrafia visual de Basquiat - com suas referências à anatomia humana, ao rap, ao break dance e à vida nova-iorquina de modo geral - passa a ser reconhecida, sobretudo em função de sua colaboração com Andy Warhol (1928-1987), em Arm and Hammer (1985), por exemplo.
As obras de Haring e Basquiat tornam-se referências para experimentos com graffiti realizados em grandes cidades de todo o mundo. Em São Paulo, as imagens de Alex Vallauri (1949-1987) - figuras das histórias de quadrinhos, carrinhos de supermercado, o jacaré da marca Lacoste etc. - começam a ser identificados, entre 1978 e 1979. Ao lado dele, destacam-se os trabalhos de Waldemar Zaidler (1958) e de Carlos Matuck (1958). O grupo Tupinão Dá (1986) - Carlos Delfino, Jaime Prades (1958), Milton Sogabe (1953), José Carratu etc. - é outra referência importante quando o assunto é o graffiti em São Paulo. O grupo realiza performances e grafitagens pela cidade em toda a década de 1980. A Bienal Internacional de São Paulo de 1987 abre espaço para esta produção, ao exibir uma parede pintada pelo grupo. Os adeptos do graffiti entre nós reconhecem o seu débito em relação à arte pop e às experiências dos artistas norte-americanos.

Body Art




Body art, ou arte do corpo, designa uma vertente da arte contemporânea que toma o corpo como meio de expressão e/ou matéria para a realização dos trabalhos, associando-se freqüentemente a happenings e performances. Não se trata de produzir novas representações sobre o corpo - encontráveis no decorrer de toda a história da arte -, mas de tomar o corpo como suporte para realizar intervenções, de modo geral, associadas à violência, à dor e ao esforço físico. Pode ser citado, por exemplo, entre muitos outros, o Rubbing Piece, 1970, encenado em Nova York, por Vito Acconci (1940), em que o artista esfrega o próprio braço até produzir uma ferida. O sangue, o suor, o esperma, a saliva e outros fluidos corpóreos mobilizados nos trabalhos interpelam a materialidade do corpo, que se apresenta como suporte para cenas e gestos que tomam por vezes a forma de rituais e sacrifícios. Tatuagens, ferimentos, atos repetidos, deformações, escarificações, travestimentos são feitos ora em local privado (e divulgados por meio de filmes ou fotografias), ora em público, o que indica o caráter freqüentemente teatral da arte do corpo. Bruce Nauman (1941) exprime o espírito motivador dos trabalhos, quando afirma, em 1970: "Quero usar o meu corpo como material e manipulá-lo".
As experiências realizadas pela body art devem ser compreendidas como uma vertente da arte contemporânea em oposição a um mercado internacionalizado e técnico e também relacionado a novos atores sociais (negros, mulheres, homossexuais e outros). A partir da década de 1960, sobretudo com o advento da arte pop e do minimalismo, são muito questionados os enquadramentos sociais e artísticos da arte moderna, tornando-se impossível, desde então, pensar a arte apenas com categorias como pintura ou escultura. As novas orientações artísticas, apesar de distintas, partilham um espírito comum: são, cada qual a seu modo, tentativas de dirigir a arte às coisas do mundo, à natureza, à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. As obras articulam diferentes linguagens - dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc. -, desafiando as classificações habituais, colocando em questão o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte. As relações entre arte e vida cotidiana, o rompimento das barreiras entre arte e não-arte, e a importância decisiva do espectador como parte integrante do trabalho constituem pontos centrais para parte considerável das vertentes contemporâneas: arte ambiente, arte pública, arte processual, arte conceitual, earthwork, etc.
A body art filia-se a uma subjetividade romântica, que coloca o acento no artista: sua personalidade, biografia e ato criador. Retoma também as experiências pioneiras dos surrealistas e dadaístas de uso do corpo do artista como matéria da obra. Reedita ainda certas práticas utilizadas por sociedades "primitivas", como pinturas corporais, tatuagens e inscrições diversas sobre o corpo. O teatro dos anos 1960 - o Teatro Nô japonês, o Teatro da Crueldade, de Antonin Artaud (1896-1948), o Living Theatre, fundado por Julian Beck e Judith Malina em 1947, o Teatro Pobre de Grotowsky (1933), além das performances - constitui outra fonte de inspiração para a body art. A revalorização do behaviorismo nos Estados Unidos, e das teorias que se detêm sobre o comportamento, assim como o impacto causado pelo movimento Fluxus e pela obra de Joseph Beuys (1921-1986), nos anos 1960 e 1970, devem ser considerados para a compreensão do contexto de surgimento da body art.
Alusões à corporeidade e à sensualidade se fazem presentes nas obras pós-minimalistas de Eva Hesse (1936-1970), que colocam a sua ênfase em materiais de modo geral não-rígidos. O corpo sugerido em diversas de suas obras - Hang up (1965/1966) e Ishtar (1965) por exemplo -, assume o primeiro plano na interior da body art, quando sensualidade e erotismo são descartados pela exposição crua de órgãos e atos sexuais. As performances de Vito Acconci são emblemáticas. Em Trappings (1971), o artista leva horas vestindo o seu pênis com roupas de bonecas e conversando com ele. "Trata-se de dividir-me em dois", afirma Acconci, "tornando o meu pênis um ser separado, outra pessoa". Em Seedbed (1970), o artista masturba-se ininterruptamente. Denis Oppenheim (1938) submete o corpo a partir de outras experiências. Sun Burn (1970), por exemplo, consiste na imagem no artista exposto ao sol coberto com um livro, em cuja capa lê-se: "Tacties". Air Pressures (1971), por sua vez, joga com as deformações impostas ao corpo quando exposto à forte corrente de ar comprimido. Chris Burden (1946) corta-se, com caco de vidro, em Transfixed. Na Europa, tem lugar uma vertente sadomasoquista do movimento em artistas como Rebecca Horn (1944), Gina Pane (1939-1990) e com o grupo de Viena, o Actionismus, que reúne Arnulf Rainer (1929), Hermann Nitsch (1938), Günter Brus (1938) e Rudolf Schwarzkogler (1940-1969). Este último, suicida-se, com 29 anos, diante do público, numa performance. Queimaduras, sodomizações, ferimentos e, no limite, a morte, tomam a cena principal nessa linhagem da body art. No Brasil, parece difícil localizar trabalhos e artistas que se acomodem com tranqüilidade sob o rótulo. De qualquer modo, é possível lembrar as obras de Lygia Clark (1920-1988) que se debruçam sobre experiências sensoriais e tácteis, como A Casa é o Corpo (1968) e alguns trabalhos de Antonio Manuel (1947) e Hudinilson Jr. (1957).